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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Relatos de um advogado: PCDF Versus PMDF

Atualmente, impera no Governo do Distrito Federal o esquecimento dos Supraprincípios da Administração Pública – supremacia do interesse público sobre o privado e indisponibilidade do interesse público – em detrimento de vaidades pessoais e interesses particulares.

Esse panorama geral não é diferente na Secretária de Segurança Pública.


Na qualidade de advogado, constantemente, verifico atritos entre as Policias que compõem a referida Secretaria de Segurança. 

Certa vez, realizava diligência em determinada delegacia do DF quando tive a oportunidade de presenciar uma confusão protagonizada por agentes da Polícia Civil e policiais militares.

Em resumo, uma guarnição da PMDF havia sido chamada para averiguar uma ocorrência com possível vítima de violência sexual. Constatado tal fato, o responsável encaminhou todos os envolvidos para a Delegacia de Polícia, a fim de que as devidas providencias fossem tomadas.

Caro leitor, o que poucos sabem é que policiais militares perdem muito tempo nas delegacias prestando depoimentos e realizando demais procedimentos nas delegacias.

E, foi isso o que ocorreu no caso em comento. Os policiais militares atenderam a ocorrência e chegaram na delegacia por volta das 19h. Por volta de meia noite o delegado responsável ainda não havia ouvido os condutores do flagrante, assim como a vítima e o acusado.

Diante da longa espera e falta de sensibilidade do responsável pelo plantão os policiais militares ficaram indignados com a situação e, definitivamente, o balcão de atendimento da delegacia virou front de guerra e vaidades entre policiais militares e civis.

Não tenho a menor dúvida de que a Polícia Civil do Distrito Federal, assim como a Militar, vem enfrentando uma série de dificuldades, inclusive de pessoal. Entretanto, isso não pode servir como justificativa para excessos e vaidades.

Neste caso, entendo que havia uma certa urgência na liberação dos policiais militares, uma vez que estes são os reais responsáveis pelo policiamento ostensivo.


O servidor público, de maneira geral, deve atentar-se que trabalha, ou ao menos deveria trabalhar em prol do interesse público. Princípios basilares são esquecidos por aqueles que deveriam ter estes interiorizados.