Atualmente, impera no Governo do Distrito Federal o
esquecimento dos Supraprincípios da Administração Pública – supremacia do
interesse público sobre o privado e indisponibilidade do interesse público – em
detrimento de vaidades pessoais e interesses particulares.
Esse panorama geral não é diferente na Secretária de
Segurança Pública.
Na qualidade de advogado, constantemente, verifico atritos
entre as Policias que compõem a referida Secretaria de Segurança.
Certa vez, realizava diligência em determinada delegacia do
DF quando tive a oportunidade de presenciar uma confusão protagonizada por
agentes da Polícia Civil e policiais militares.
Em resumo, uma guarnição da PMDF havia sido chamada para
averiguar uma ocorrência com possível vítima de violência sexual. Constatado
tal fato, o responsável encaminhou todos os envolvidos para a Delegacia de
Polícia, a fim de que as devidas providencias fossem tomadas.
Caro leitor, o que poucos sabem é que policiais militares
perdem muito tempo nas delegacias prestando depoimentos e realizando demais
procedimentos nas delegacias.
E, foi isso o que ocorreu no caso em comento. Os policiais
militares atenderam a ocorrência e chegaram na delegacia por volta das 19h. Por
volta de meia noite o delegado responsável ainda não havia ouvido os condutores
do flagrante, assim como a vítima e o acusado.
Diante da longa espera e falta de sensibilidade do
responsável pelo plantão os policiais militares ficaram indignados com a
situação e, definitivamente, o balcão de atendimento da delegacia virou front
de guerra e vaidades entre policiais militares e civis.
Não tenho a menor dúvida de que a Polícia Civil do Distrito
Federal, assim como a Militar, vem enfrentando uma série de dificuldades,
inclusive de pessoal. Entretanto, isso não pode servir como justificativa para
excessos e vaidades.
Neste caso, entendo que havia uma certa urgência na
liberação dos policiais militares, uma vez que estes são os reais responsáveis
pelo policiamento ostensivo.
O servidor público, de maneira geral, deve atentar-se que
trabalha, ou ao menos deveria trabalhar em prol do interesse público. Princípios
basilares são esquecidos por aqueles que deveriam ter estes interiorizados.
